segunda-feira, 8 de março de 2010

Quando isto vai acabar?

Ontem depois de muito tempo consegui chegar acordado até a hora do Fantastico. Uma matéria em especial me tirou o sono, a que falava do motivo que fez um ônibus pegar fogo no Rio de Janeiro. Aí percebi por que não faço mais questão de assistir este programa...

Assisti estarrecido um especialista em alguma coisa dizer que o ônibus pegou fogo por causa do piso emborrachado, do forro e da espuma dos bancos. Não! O ônibus pegou fogo porque os marginais jogaram gasolina nele e puseram fogo!

Os marginais em um ato de represália a uma ação legítima da polícia de prender o chefe do tráfico local resolveram protestar e atearam fogo em um ônibus cheio de gente. Não há registros de abuso nesta prisão, foi o simples fato de a polícia ter prendido um bandido. Aí os seus comparsas, certamente a mando dele mesmo, simplesmente incediaram um ônibus com pessoas dentro. Isto é um atentado ao estado democrático de direito, à sociedade instituida, a todos nós.

O que estas pessoas fizeram foi um ato de terrorismo. Elas tinham o único interesse de aterrorizar a população e com isso desestabilizar a ordem para que seu estado paralelo mantenha o poder naquela região. Este é o verdadeiro problema que deveria ter sido abordado na reportagem. Não uma reportagem no mais puro estilo "vamos tirar o sofá da sala".

Qual o comprometimento deste jornalista para a construção de uma sociedade mais justa, mais segura? Nenhum. A culpa agora é do minimo de conforto que estas pessoas tem no trajeto de casa para o trabalho. Esse especialista com certeza nao pega ônibus para ir para o trabalho, muito menos o jornalista que deixou uma matéria vazia como esta ir para o ar.

Nos EUA ações de terrorismo são tratadas como uma exceção às leis. Atos de terrorismo são tratados com altíssimo rigor. A sociedade aqui é consoante com a preocupação de se ter segurança no país. Em diversas manifestações, até na entrega do Oscar ontem, você vê as pessoas saudando e agradecendo aos militares por todo o esforço e sacrifício pessoal e familiar que eles fazem para manter o país seguro. Mesmo quem é contra a guerra apóia os militares, tipo "I don't support the war but I support our troops". Percebam o "our", nossas tropas.

Aqui no estado da Florida existe um programa chamado 10-20-LIFE. Este programa ajudou a reduzir em 30% os índices de criminalidade com medidas duras contra os crimes violentos. Antes de este programa ser criado a pena para quem usasse uma arma num crime era de pelo menos 3 anos na cadeia. Hoje esta pena é de no mínimo 10 anos se o bandido sacar uma arma durante um crime, 20 anos se disparar a arma e de 25 anos a prisão perpétua no mínimo caso alguem seja ferido ou morto durante o crime. A lei manda ainda que estes tempos de prisão sejam cumpridos imediatamente após qualquer outra pena imputada ao bandido. O simples fato de um bandido estar com uma arma num crime já garante a ele 3 anos de prisão. Todas estas penas são mandatórias e não estão sujeitas a nenhum regime de progressão de pena.

Em Abril de 2008 Ryan Schallenberger comprou 9kg de nitrato de amônia para contruir bombas e explodir sua escola na Carolina do Norte. Foi descoberto pelo padrasto que acionou a polícia para prender o jovem. Em Agosto de 2009 quando tinha apenas 19 anos foi condenado a passar 10 anos na prisão após fazer um acordo com a promotoria para se declarar culpado, manobra muito comum nos tribunais americanos. Caso não se declarasse culpado mas fosse julgado culpado sua pena poderia chegar a 30 anos de prisão.

No Brasil isto é tratado como fruto da opressão do estado policial, da falta de oportunidades que estas pessoas tem, da revolta frente a tanta desigualdade. Ora, roubar fruta na feira, um carro ou assaltar uma velhinha no centro podem até ser atos de desespero, atear fogo em um ônibus com pessoas dentro é um crime bárbaro que só serve para mostrar para o resto da sociedade quem é que manda naquele pedaço da cidade.

Entre jogar papel no chão e praticar atos de genocídio com requintes de crueldade existe um ponto em que a partir dali os crimes não são mais frutos de desespero ou de desigualdade social, são atos de maldade pura e simples. A partir deste ponto os crimes deveriam ser punidos com todo o rigor da lei, até com leis específicas para isto, não sendo permitido o contato dos que os cometeram com mais ninguem ou não existindo para eles os benefícios de progressão de pena.

2 comentários:

  1. Rafael,
    Parabéns pelo post.
    A indignação política com o Brasil aumenta quando temos a oportunidade de morar em países onde a democracia e o exercício da cidadania são consolidados.
    Países democráticos nos quais, independentemente dos problemas de que padecem, a imprensa, os partidos, as instituições são fortes e os indivíduos costumam protestar de maneira íntegra e com estardalhaço quando ocorrem episódios ultrajantes e desprezíveis, principalmente atos que ameaçam a sociedade.
    A grande tristeza está na incapacidade de indignação da sociedade, isso me faz viver sempre temeroso, desassossegado, esperando (e perguntando-me de onde virá desta vez) o fato execrável que, provavelmente, passará despercebido para a maioria, ou merecerá o beneplácito ou a indiferença geral dos políticos brasileiros.
    A esperança é renovada quando vemos iniciativas muito boas (e extremamente bem feitas) para nos prepararmos para as eleições próximas.

    http://www.bovap.com.br/ (Bolsa de Valores Políticos)

    http://www.dcomercio.com.br/muco/ (Museu da Corrupção)

    Abraços,
    Isaque Cerqueira

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  2. Alysson Uchoa de Carvalho11 de março de 2010 18:19

    Bolinha,
    Show!
    Tudo começou quando um FPD chamado D. Pedro chegou neste país. Trouxe nas malas uma porrada de merda:
    1) falta de educação, pois chegava ao ponte de mandar parar as carruagens para mijar na rua (fato é que hj em dia o mais comum é vermos gente mijando na rua em festas públicas e achando que isso é normal - culpa de D. Pedro);

    2) medo de defender a pátria, pois veio pro Brasil fugido com medo de Napoleão (como consequência, temos uma sociedade que não defende seus interesses, e que não respeita nem a própria bandeira);

    3)chegou no Brasil fudido e voltou com as porras das naus lotadas de ouro, prata e etc., achando normal chegar e locupletar-se da coisa alheia (como consequência temos hoje ladrões, marginais etc., temos tb os FDP dos "sem terra", que deu origem aos "sem teto", que daqui a pouco vai dar origem aos "sem carro", e provavelmente aos "sem iates", e depois "sem jatinho" e aí vai.

    Tudo isso tem jeito, mas o interesse político impede a boa vontade e quando a boa vontade vence, vem o infortuito e leva os bons (foi-se Ruth Cardoso, foi-se Zilda Arns e tantos outros).

    Forte abraço meu amigo e parabéns pelo blog.

    Alysson - Recife

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